Bullying: e se soubesse que fazem com o teu filho o que você fazia com os outros?

Achei bem interessante que vários olhos tenham se virado pra essa questão do bullying….

Demorou MUITO pra que isso acontecesse, mas… antes tarde que nunca, né?  O que eu não entendo é o por que das pessoas só terem começado a se preocupar de fato com esse tema nesses últimos tempos. Afinal, o bullying deve existir desde a época de Jesus Cristo…. na boa.

A questão é a hipocrisia que existe por dentro do pensamento da nossa geração em relação a esse tema. Todos ficaram putos ou horrorizados com aquele vídeo do menino apanhando na escola, mas…. e você, que se emputeceu, que postou o vídeo no teu facebook ou qualquer outra rede social, que achou aquilo tudo um absurdo…Qual é o teu comportamento com os outros? Como você trata alguém que está fora dos TEUS “padrões”? Ou como vocês tratava os que eram “diferentes” na tua época de escola? Será que você tem alguma moral para criticar aqueles que “cometem o bullying”?

Eu sofri bullying dos meus 10 aos 19 anos. E não sei porque, mas tenho certeza que todos aqueles filhos da puta que fizeram com que aqueles fossem os piores anos da minha minha vida, também acharam absurdo o vídeo do garoto na escola. Se estes já estiverem casados e com filhos… creio que também achariam absurdo e emputecedor se seus filhos estiverem sofrendo bullying de qualquer natureza. E duvido muito, MUITO, que contassem a seus filhos que eles mesmo já foram os causadores de bullying quando adolescentes.

O bullying pode vir não somente  em uma agressão física, como também agredindo a mente.

Vou contar um pouquinho do que aconteceu comigo….

A história é separada em dois momentos, que se juntam no final.

A primeira parte começa quando eu tinha 10 para 11 anos. Eu tinha recém entrado no Colégio Militar e, na época, eram 6 turmas de 5a série (atual 6o ano). Como eu era filha de militar, me colocaram em uma das turmas pares, pois os concursados entravam em turmas ímpares. Vou explicar um pouco como esse negócio de organização das turmas funcionava (e acredite, é bastante relevante):

Os concursados entravam nas turmas 501, 503 e 505, sendo a primeira, com os alunos que obtiveram as melhores notas na prova do concurso. A segunda, os melhores colocados depois dos alunos da 501 e a última, com os melhores colocados depois da segunda.

Os filhos de militar entravam nas turmas 502, 504 e 506. Só que aqui, a ordem funcionava de uma forma um pouquinho diferente: era inversa. Mesmo os filhos de militar tem que fazer uma provinha pra entrar –prova essa que não me lembro de ter feito porque meu pai demorou muito pra fazer a minha matrícula e acabei pegando a vaga na turma que sobrou. Então, essas “provinhas” definiriam em qual turma o aluno entraria. Os melhores colocados iam para a 506. Na 504 estavam os que foram mais ou menos na prova. E na 502, os que haviam se saído pior ou pessoas que entraram depois (ou por atraso na transferência do pai, ou qualquer outro motivo). Ou seja, para todos os alunos, os que estavam na  502 eram “os mais burros da série”. Eu estava na 502. E para quem estava na 502, muitas vezes era constrangedor dizer qual era a sua turma… pois nos chamavam de burros mesmo.

Eu nunca consegui fazer amizade e nem sequer falar com ninguém de turmas ímpares, pois me olhavam torto por ser não só de uma turma par, mas da 502! Até parece que eles iriam se relacionar com uma filha de milico que entrou por transferência e que ainda por cima  era da 502.

O problema, pra mim, se agravava porque, na época, que eu me lembre, só havia 2 meninas que eram loiras (no caso, de cabelos naturalmente loiros) naquela série. Imagine: loira, na 502, com a música do Gabriel O Pensador a todo gás… Os alunos passavam por mim cantando “Lôraburra” pelo menos umas duas vezes por dia. É muita maldade. Não queria mais ir pra escola, chegava em casa chorando baixinho pra minha mãe não ficar sabendo que EU era a menina zoada do colégio…. Comecei  a inventar que estava doente só pra não ter que encarar mais um dia naquele inferno. Essa situação toda fez com que eu, no mínimo, começasse a pintar o cabelo, que quisesse ser qualquer pessoa, menos eu mesma. E eu fiz, de fato, várias coisas pra ser bem diferente do meu natural: pintei os cabelos de vermelho, raspei as sobrancelhas, raspei as pernas, fiz mais um furo na minha orelha sozinha em casa, comecei a usar toneladas de maquiagem…  Acho que criança nenhuma saberia assimilar e lidar com essa situação…

Enfim…

Os dois anos que seguiram, eu tive um pouco mais de paz. Sempre tinha um engraçadinho ou outro que ainda me zoava pelas mesmas coisas da 5a série, mas eu vinha com uma resposta idiota do tipo ” Seu verme, eu não estou mais loira… não tá vendo? Seu burro.” e eles iam embora. Só que, claro… sempre tem alguma outra brincadeirinha pra fazer quando a que está sendo feita começa a perder a graça. Menos mal que as “brincadeiras” eram muito mais leves … eram bem coisas de menino, sabe? Então, como eu disse…. tive um pouco mais de paz.

Depois desses dois anos, meu pai foi transferido para outro país… (raramente conseguíamos morar em algum lugar por mais de dois anos) E lá, tudo era extremamente diferente, principalmente a comida! Ahh… a comida! Era tanta comida tão boa… e tão atrativa!! Eu comi tudo o que eu tinha direito, o que não tinha direito e o tempo todo. Quatro ovos com muito queijo cheddar no café da manhã, refrigerantes diferentes o tempo todo, sorvetes com sabores que eu nem imaginava que pudesse existir, biscoito maravilhosos, fast food (amor eterno por Wendy’s e Popeye’s!) … e os doces então? Nossa…. Eu passo mal só de lembrar de tudo que eu comi! Mas o fato é que eu comi, e comi, e comi…. e, fora estudar, o que eu fazia ali era, basicamente, comer.  (Acho que consegui explicar bem a quantidade de comida, né?)   Mas isso é bem comum quando você é “pré adolescente” e vai morar num outro país, onde chega a ser um “universo diferente”. O problema é que, pela quantidade de comida consumida nessa época, eu engordei muito, MUITO. Mesmo. E é claro que eu sabia que estava gorda. Eu olhava no espelho e o meu excesso de peso era nítido. Quando eu ia pra escola tentar me focar nos estudos pra esquecer um pouco o meu peso, as minhas colegas de sala faziam questão de me lembrar que eu estava gorda. Foi péssimo. Tentei emagrecer e não conseguia. E aí, a inteligente aqui começou a ir por um caminho “diferente”: comecei a vomitar tudo que eu comia. Na época não se tinha muita informação sobre isso, não era nada que passava na televisão, nem tema abordado nas escolas. Eu sabia que não era exatamente o certo a se fazer, mas também nunca havia escutado nada sobre isso ser algo ruim, então…Lá fui eu!  Joelho no chão, escova de dentes na garganta e a privada pronta pra receber o que o meu corpo precisava e a minha mente desprezava. Minha mãe descobriu que eu estava vomitando o que comia e me levou ao médico, qe me passou uma dieta e me explicou que aquilo que estava acontecendo comigo tinha um nome: bulimia.

Fiz a dieta da médica por dois meses e só serviu para eu nunca mais acreditar em médicos (to falando… adolescência é uma merda), porque demorei muito tempo pra emagrecer pouquíssimo. Ou seja… mesmo sabendo que essa idéia de bulimia era errada, me parecia menos errado estar gorda. Lá fui eu outra vez: privada, escova de dentes e joelhos no chão. Só que eu havia percebido também que isso de vomitar não me fazia emagrecer tanto quanto eu queria. Pensei: ” Não devo estar conseguindo vomitar tudo…”. Mais um “equipamento” foi adicionado ao ritual do banheiro: A coca-cola. “Ué!? Ela não desentope pia? É disso mesmo que eu preciso!”.  (olha a merda….)

Enfim…

Passamos um pouco mais de dois anos naquele país e meu pai foi transferido novamente para o Brasil. Isso foi no final do ano, do meio pro final do 4o bimestre, então foi bem difícil de algum colégio me aceitar nessa época… e eu não podia, de maneira alguma, perder um ano de colégio.

Conseguimos, então, numa escola (que acho que não seria muito bacana dizer o nome) na Asa Sul, em Brasília. Já me tiravam de metida porque no meu primeiro dia de aula, a professora me apresentou pra turma e disse que eu havia chegado de outro país (adolescente é uma merda mesmo). Cheguei lá e as pessoas nem sequer me deram a chance de mostrar quem eu sou, e riam toda vez que eu abria a boca pra falar, afinal, eu tinha o sotaque bastante diferente do pessoal de Brasília (acho que ainda tenho). Quando vinham falar comigo, era sempre pra me zoar e eu não entendia o por que, eu não tinha feito nada pra ninguém.

Na minha segunda semana de aula, uma menina (que eu nem sabia quem era direito) veio tirar satisfação comigo sobre algo que não havia acontecido, a típica fofoca. A fala dela foi assim: ” Que tu anda falando mal de mim, sua escrota? Foi me chamar de galinha por que? Só por que tu queria pegar o fulano e não conseguiu? Só porque eu que consegui ficar com ele, é? Te enxerga, sua gorda escrota!”.  Bom… o detalhe é que eu não havia falado mal dela, eu nem sequer sabia o nome dela, nunca tinha trocado uma palavra com essa menina, eu nem tinha amigos pra falar merda dela, eu nem sabia quem era o cara de quem ela estava falando e muito menos quem ela pegava ou não. Foi uma situação absurda. Mas o que me deixou mal de tudo isso, foi ela me chamando de “gorda escrota”. Isso já afetaria qualquer garota com 16 anos, mas ser chamada de “gorda” afeta muito mais a quem já está com a maldita bulimia. No mesmo dia, ela e as amiga vieram atrás de mim na hora do  recreio, na quadra de basquete. Se o professor de educação física não tivesse chegado ali na hora, eu teria (no mínimo) saído  com alguns quantos fios de cabelo a menos. Mas é claro que elas não iam deixar isso barato…. vieram atrás de mim na saída e, pra me livrar dessa merda que eu não sabia onde poderia terminar, pedi desculpas por algo que eu nem havia cometido e me fiz de pobre coitada: era bem melhor que elas sentissem pena de mim do que raiva.

Mas… eu fui motivo de chacota até meu último dia naquele colégio.

De zoação em zoação, logo chegaram as últimas provas do ano e, entre elas, a prova de português. A minha prova foi um desastre! Eu já tinha no meu dia-a-dia outros idiomas. Então, adicionando mais esses pouco mais de dois anos fora, sem falar ou escrever qualquer palavra sequer em português, a gente acaba esquecendo algumas palavras mesmo.  E a professora viu uma questão que eu havia respondido de forma correta mas com o português todo errado e comentou o acontecido na frente da turma toda. Aí a merda toda explodiu, todos riram e a professora simplesmente cagou para o que estava acontecendo. Um dos meninos da sala (que era o manda-chuva dos meninos) pegou a minha prova para ver quais haviam sido os meus erros, leu para a turma e falou que, além de gorda e fofoqueira, eu era burra. Mas que ele me admirava muito, porque “não sabia como eu tinha a coragem de sair de casa com aquela quantidade de banha”.

Esse dia foi o fim pra mim. Nunca havia me sentido tão mal em toda a minha vida. Mal, rejeitada, gorda, feia… Nem conseguiria descrever exatamente o sentimento que tive naquele momento.Mas, apesar de ter sido o pior dia, foi o dia que marcou o “fim de uma era” pra mim: prometi pra mim mesma que ninguém, nunca mais, me chamaria de gorda.

Foi, de fato, o “fim de uma era”…. “fim” esse que deu início a uma era bem pior: eu simplesmente parei de comer.

Bom.. não pareeeeeeeei parei de comer… eu passei a consumir, por dia, uma barrinha de cereal de 55kcal e litros e litros de água. Dessa vez, o meu “equipamento” era composto por laxantes de todos os tipos, remédios para “diminuir medidas”, inibidores de apetite, uma balança e uma fita métrica e um novo nome para o problema: anorexia.

A fase da anorexia eu conto em outro post, porque… haja saco para ler tudo! Por isso, vou resumir o que aconteceu:

Passei 6 meses com anorexia, consumindo somente aquela barrinha de cereal, água, laxantes e tal. Acho que essa é a parte mais difícil de imaginar, mas tenho fotos disso e minha mãe de prova que cheguei a pesar 34kg (com 16 anos e 1,59 de altura). Ia a vários médicos que começaram a me passar um monte de remédios antidepressivos, o meu estado de saúde ficou extremamente complicado e, segundo minha mãe, a médica lhe havia dito que o máximo que eu aguentaria viva nesse estado, era dois meses.

Sair da anorexia foi quase missão impossível mas eu consegui… só que saí dela pra voltar para a bulimia (que também contarei em outro post).

Só consegui sair dessa doença toda aos 19 anos. Melhorei e tive uma recaída no ano que seguiu. Hoje em dia estou bem, sou uma pessoa feliz com tudo que tenho e que sou (tenho meus altos e baixos assim como qualquer um), curada e balança é algo que só voltei a chegar perto quando engravidei… e depois, nunca mais quis saber dela desde que meu filho nasceu. :)

Agora… me chame de mente fraca ou do que quiser, mas o fato é que adolescente nenhum sabe lidar com a maioria das situações, sempre faz alguma merda muito grande, não dão a mínima para o que os pais falam e acreditam somente nos outros da mesma idade ou do mesmo “círculo”… ou naquilo que estão vendo na televisão ou no que acham bonito. Mas foi por todos “os colegas”, desde pequena,  “terem me mostrado” que eu seria uma pessoa “decente”, “normal”, “aceitável” se eu não fosse eu mesma…. foi por eles falararem e demonstrarem que eu tinha um aspecto “escroto”, “repugnante“, “feio“, “motivo de piada” que  toda essa merda que me fizeram passar quando era adolescente aconteceu. Problemas que poderiam, fácil, ter me levado dessa para o fundo de um caixão (ou pó, não sei).

Tudo isso aconteceu aqui, em Brasília. E como Brasília é a pequena grande cidade de  interior (não só na mentalidade das pessoas, na falta do que fazer, mas também, porque todos basicamente se conhecem….) , a gente acaba encontrando com as pessoas nos shoppings, nos clubes, enfim… E é curioso ver que algumas dessas pessoas que tanto me fizeram mal, que tanto brincaram com a cabeça de uma menina em formação, estão casadas, com filhos… E é ÓBVIO que qualquer um que tem filho tem medo de que ele/ela sofra com bullying na escola. Todos nós ficamos putos, boquiabertos e achando um absurdo as histórias que tem passado na televisão e divulgadas na internet sobre crianças que sofrem com isso. A cada dia mais TODOS pensamos aonde este mundo vai parar com tudo isso, se até nossos filhos, desde pequenos, estão sujeitos a toda essa maldade que, várias vezes, pode levar à violência dentro e fora da escola.

O difícil é ver a culpa que cada um tem nisso e que fez esse tipo de coisa acontecer cada vez mais. É ver o quanto você contribuiu para fazer a vida de uma criança/ adolescente/ colega de escola um inferno. Seria absurdo até pra você, que já foi um dos que contribuíram para que alguém sofresse bullying, que seu filho sofressse algo do tipo. É fácil condenar algo sem pensar se esse algo faz parte das suas ações no passado. Fácil é ter medo de que façam com um filho teu o que você (que… vai ver que ainda nem se tocou ) já fez com o filho de alguém.

Agora… onde começa tudo isso? Na educação que a família dá? Na educação que a escola dá? No convívio com os coleguinhas? Com a televisão? Com o videogame? Como se cura esse problema? Com palestras nas escolas? Brigando com as crianças cada vez que elas fazem graça da cara de alguém? Eu realmente não sei. Acho muito difícil de responder a essas perguntas. Creio que o que NÓS podemos fazer em relação a isso é pensar sempre que temos que cuidar de fato do que é nosso, porque, se não o fizermos, ninguém, NINGUÉM vai fazer por nós. E “cuidar do que é nosso”  é não só o óbvio (tá… que pra MUITA gente ainda não é óbvio) de cuidar da própria vida, e não da vida do outro que não nos diz respeito, mas cuidar dos nossos pequenos (sejam estes filhos, sobrinhos, afilhados, enfim). É ensinar o que é respeito, que apesar de TODOS sermos diferentes por fora, somos todos iguais por dentro: todos ficam tristes, felizes, amam, choram, sentem dor de barriga, tem espinhas na adolescência (salvo os casos abençoados)… Que se não gostamos quando nos fazem sentir mal , pra que fazer o outro se sentir mal também?  Que o nosso espaço termina onde começa o do outro. Deixar claro que a forma de aliviar o seu sentimento de dor em relação a qualquer coisa, não é descontando nos outros, levando- os  pra baixo com você. Não só isso, mas temos que observar as nossas próprias atitudes para com os outros. Nós temos que ser o exemplo.

Espero que agora, com todos esses olhos e holofotes voltados para o bullying, as crianças sejam mais poupadas dessa maldade, que consegue azedar uma infância/ adolescência que deveria fazer parte dos melhores anos, da “caixinha de recordações”  mais preciosas de qualquer um.

Para quem tiver paciência para ler e à quem interessar: depois postarei sobre a anorexia e a segunda fase da bulimia.

Boa noite.


Ando com tanta coisa na cabeça que as vezes nem sei por onde começar… Assim que a preguiça parar de vencer, volto a postar.

Para quem lê a página ou se interessa… estou passando bem rápido só pra dar sinal de vida mesmo.

Xau

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Bonedriven

we’re just a wish away
27th letter
much maligned
beat me clever
say you will
nevermind
open up
open wide
bonedriven
see we’re taking all the life
to all pollutants
shave your face
we’re all confusion
we’re all the rage
maybe i can’t erase
all that’s left
inside out
heaven knows who walks away
heaven knows who walks
bonedriven
bonedriven
I was wrong and i will wait
I was wrong and i will i will wait
A thousand lamps
Won’t lift the dark
Rest of our lives
Might have already passed


O susto…

Então, vou continuar mais um pouco sobre o tema anterior…

Contando “causos” relativos ao cigarro…

Ano passado rolou uma coisa MUITO bizarra comigo. Parei no hospital 5 vezes e foi um tanto quanto tenso. Explico o que aconteceu:

Da primeira vez que aconteceu tudo, eu estava na sala de aula da faculdade e do nada, comecei a perder um pouco da audição do lado direito. Em questão de segundos, perdi a visão periférica também do lado direito. Em seguida, perdi os sentidos dos dedos e todos os sentidos do lado direito do corpo. Parecia que eu estava anestesiada. Depois de alguns minutos, perdi a fala e a “memória de palavras”, ou seja, eu não conseguia construir uma frase. Estava como uma criança de um ano, balbuceando.

Não conseguia andar em linha reta , por causa da perda da visão periférica.

Não conseguia ligar pra ninguém, pois se não ha visão periférica, não há foco. E se havia perdido o sentido dos dedos e do lado direito do corpo, não havia como pegar um celular. Se houve perda da fala, como raios eu explicaria pra alguém o que tava acontecendo?

Eu fiquei umas duas horas assim, com esses sintomas.

Minha irmã me achou na faculdade na primeira vez que isso aconteceu, me levou pro hospital, passei a madrugada lá, fiz altos exames e nada.

Da 2a vez que rolou, eu estava em casa sozinha e, pelos mesmos motivos, não pude avisar no trabalho, simplesmente faltei.

Da 3a vez, a minha sorte foi que um amigo estava perto e ficou comigo o tempo todo caso eu precisasse de alguma coisa.

Da 4a vez eu estava na casa dos meus pais e meu pai me levou novamente ao hospital, fiz um monte de exames novamente e o médico disse que poderia ser : convulsão, epilepsia ou um início de AVC. Me doparam de calmante e me disseram que isso poderia ter sido pelo excesso de stress juntamente com o fato de fumar e do “alto” consumo de álcool. (olha a merda aí… tá vendo!)

Da 5a vez, eu estava dando aula na escola em que eu trabalhava e por sorte um amigo que resolveu ir lá me visitar me levou pra casa dos meus pais, mas eles não quiseram me levar pro hospital, pq o máximo que eles poderiam fazer era me dopar de calmantes novamente. E isso foi tenso. Eu fiquei mais mongol que o normal o dia inteiro e não resolveu meu problema.

Fiz então uma ressonância magnética… No resultado não deu nada grave. Pelo menos, não muito grave.

O médico me aconselhou então  a parar de fumar o mais rápido possível, reduzir o alcool e tentar diminuir meu nível de estresse fazendo uma yoga ou até mesmo boxe! Que seria ou tentar relaxa ou parar de ficar segurando as coisas e descontar no saco de pancada (pq a soma dos problemas e ficar aguentando tudo no osso ao invés de dizer o que eu penso e me expôr diante das coisas podem causar doenças, segundo ele…)

Não vou dizer que não dei muita bola. Até dei, porque, na boa, eu achei que fosse morrer! E saber que o que eu tive pode ter sido um “princípio de um derrame cerebral” não foi nada agradável.

Mas por mais que eu tivesse me chocado, achei que o cigarro não teria nada a ver com isso. “Oras! Sou muito nova pra ter uma parada dessas por causa de cigarro! Conheço gente que fuma ha não sei quantos anos e nunca teve nada! Por que raios EU teria?” ( Bom… tenho 26 anos e de fato… quase tive um AVC.  Eu até achava que isso só acontecia com gente  beeeeem mais velha… mas fui pesquisar e isso não tem nada a ver. Pode acontecer com qualquer um.)

Tentei reduzir meu nível de estresse e nada disso nunca mais aconteceu.

Reduzi o alcool durante um tempo, mas depois voltei ao consumo diário excessivo.

Agora, reduzi novamente.

Mas mesmo assim, comecei a perceber que meu corpo já não era mais o mesmo. E nem falo só de estrias, péssima cicatrização das coisas nem nada estético (que pesa, lógico). Falo do meu corpo como exaustão constante, péssimo humor que surge do nada, falta de sono, a respiração que fica fodida, crises enormes de tosse de vez em quando… entre outros.

Cheguei num ponto em que já não aguentava mais tudo isso. Estar presa a uma coisa que tava fodendo tudo! Minha saúde, meu humor, meu corpo, meu dinheiro! A minha rotina dependia do cigarro (sim, porque tem o cigarro depois do café, dapois da janta, antes de fazer isso, fazer aquilo… enfim! Os momentos na qual a pessoa passa criar um hábito de ter o cigarro junto)! Foi aí que resolvi tentar parar. Digo tentar porque sei que o processo não é o mesmo pra todos.

Até agora está indo bem, creio.

Reduzi horrores e, pela minha ficha ter caído sozinha, já não sinto mais a necessidade que sentia antes. Só com  a grande redução, já não consigo nem sentir o cheiro do cigarro direito. Se fumo um cigarro já vou lavar minhas mãos (ou até mesmo tomar um banho bem tomado!), escovar meus dentes e usar outra roupa. Já jogo a roupa com cheiro de cigarro na máquina.

Pelo fato de não ter parado totalmente ainda, não percebi grande diferença na minha respiração, mas o meu tempo está sendo muito melhor utilizado, estou economizando GRANDE parte do meu dinheiro, e o meu humor melhorou um pouco. Além de que me sinto melhor sabendo que estou fazendo algo por mim que de fato tem um grande significado.

Por mais imbecil que pareça, o que está me ajudando a passar o tempo é brincar com papéis de EVA, bordar umas toalhinhas em ponto cruz, cozinhar… Eu sei que isso tudo é muito “ana maria braga”, mas na boa… antes saudável e fazendo coisas de “mulher da casa” (afinal, eu sou mesmo! auehahueauheahu) do que continuar dependente de algo que vai me levar pro fundo do poço.

Bom, vou indo nessa que amanhã é dia.

Buenas noches, personas.


As imagens

Bom, como eu havia dito no post anterior, tenho o péssimo hábito de resolver postar de madrugada, na hora em que meus olhos não conseguem mais ficar abertos e eu deveria estar na cama, no décimo sono…

Então não vou terminar aquele post agora, vou só colocar as imagens que havia prometido.

Espero que vocês achem elas tão filhas da puta quanto eu achei, porque só assim pra gente se sentir um pouco pior…

Fotos de campanhas anti- cigarro que estão rolando por aí… não sei quem as criou, por isso não tenho como citar as fontes pra dar os devidos créditos.

(Kill  a cigarette and save a life. Yours.)

Outra hora posto as outras…

Buenas noches pra quem fica.


Acabando com uma merda… – parte 1

Eu sei que, normalmente, essas propagandas anti cigarro chocam a todos, menos aos fumantes (que normalmente evitam até de olhar essas imagens por acharem uma merda mesmo).

Eu digo isso porque fumei durante alguns quantos anos e achava uma porcaria e de certa forma, até uma “invasão”  essas propagandas contra o cigarro no próprio maço.
“Oras… todo fumante sabe que o cigarro faz mal e essa merda toda”.
Acho que é tão difícil chocar um fumante, mas tão difícil, que as vezes nem a morte de alguem por causa disso é motivo forte o suficiente pra fazer a pessoa parar de fumar. E eu to ligada que  é absurdo.

Digo isso porque em 2007 perdi uma pessoa da família muito querida, e foi também por causa do cigarro. Fiquei muito mal, chorei horrores (como acontece sempre que perdemos alguém que tenha um grande valor pra nós), vi todos os meus familiares sofrendo com a morte dela… mas nem por isso larguei o cigarro.

Minha mãe já vinha ha anos comprando livrinhos e pegando panfletos pra ver se me convencia a parar de fumar, mas eu nem sequer lia aquilo. Achava um saco que ficassem me incomodando pela mesma coisa. Afinal “a vida é minha e ninguém tem nada a ver com o que eu faço ou deixo de fazer”. Ficou tudo encostado em algum canto que eu não sei qual. Deve ter ido tudo fora já.

No meio de 2005 eu engravidei. Assim que fiquei sabendo que estava grávida, dei todas as minhas carteiras de cigarro e parei também de consumir qualquer tipo de bebida alcoolica.
E por mais que você pense que essa atitude seria “óbvia”, a mais lógica, a que as pessoas normalmente fazem… a coisa não funciona bem assim.
É de fato o mais correto a ser feito.
O que você faz com a sua vida é problema seu, mas a partir do momento que existe uma outra vida ali, na qual você é inteiramente responsável por ela… a coisa muda.

Ninguém tem direito de foder com o outro, muito menos com um ser que não tem nem como se defender. Ou seja, não é porque você fuma e está pouco se lixando se está fodendo o seu organismo que você tem o direito de acabar com a saúde do outro, ainda mais quando esse outro é seu filho.

Mas, infelizmente, tem gente que não pensa assim.
Tem muita mulher por aí que fuma mesmo, bebe mesmo, e foda-se a gravidez. Eu conheci várias que fizeram isso e provavelmente você conhece alguém ou conhece alguém que conhece alguém que já teve essa atitude.

Enfim.
Depois que o meu filho nasceu e já tinha crescido um bocado, fiz a merda (e não sei porque cargas d’água) de voltar a fumar.
Eu poderia dar mil e uma explicações pra isso, ficar me justificando, mas… na boa, eu dei mole. MUITO mole. Depois de… sei lá, mais de um ano sem colocar um cigarro na boca, ainda resolver voltar a fumar… Pelamordedeus.
Mas…, foi o que eu fiz.

Meu filho, hoje, tem 4 anos.
Ele entende tudo e fala tudo. Por mais que eu tentasse fumar longe dele… uma hora não deu mais. Continuei fumando longe, mas ele começou a ver de longe.
Isso pesou. Bastante.

Mas ainda assim, não foi o suficiente.

O engraçado é que, as vezes, o que a gente precisa pra se chocar com isso é algo imbecil. Pequeno perto de todas as situações citadas acima. Algo que passaria completamente despercebido.

Nessa semana saí com um grupo de colegas. Tinha violão, cerveja, muita gente, todo mundo se divertindo… e antes de sair pra encontrar com esses colegas, eu havia comprado uma carteira de cigarro. Me diverti bastante. Estava me divertindo tanto que nem me dei conta de quantas cervejas já tinham ido e nem de quanto cigarros eu havia fumado.
Cheguei em casa muito tarde e de repente, fui procurar meu cigarro e… a carteira estava vazia… me dei conta que só naquela noite, eu havia fumado, SOZINHA, uma carteira inteira.
Eu não sei o que você acha disso, mas eu acho que uma carteira em uma noite…. é cigarro pra cacete!
Isso foi o que me assustou. Ver como algo que eu fazia durante anos, e sempre odiando quando me falavam sobre o mal que causava, já estava incontrolável e eu não tinha percebido.Ou pelo menos, ignorava que estava incontrolável.
Foi então quando vi o quanto isso já estava me afetando: a dependência absurda, o meu humor, a minha rotina, o tempo que eu estava perdendo, e principalmente, a minha saúde.

Resolvi largar essa merda. Talvez não consiga largar de uma vez, afinal, meu corpo ficou dependente desta merda que é a nicotina. Mas acho que todas as formas e tentativas de parar são válidas. Alguma dessas formas vai servir pra mim. Nem que seja ligar no 0800.

Eu poderia ficar mais pelo menos meia hora escrevendo aqui sobre isso…  e ficarei. Não hoje. Já está muito tarde e eu tenho um monte de coisas pra fazer amanhã.
Mas pra tentar dar uma finalizada por agora….
Eu sei que esse texto não foi nada perto de algumas coisas que você já tenha lido sobre o cigarro…. mas… espero que todos que fumam que de alguma forma chegaram a minha página, tenham esse “estalo” ou que percebam que o final, pra todos nós, é o mesmo. Só que até lá, o tempo do fumante, além de ser mais curto, é muito mais sofrido.

Depois vou postar umas imagens que achei realmente geniais e termino esse post…

Sim, porque… eu tenho o PÉSSIMO hábito de resolver postar as coisas de madrugada e nunca consigo terminar de escrever por falta de forças. Meus olhos vão fechando sozinhos… afffe…

Bom, boa noite… que meu corpo já está pedindo arrego.


Merdas do dia-a-dia

Nossa, hoje bateu uma saudade de 2004 e 2005…

Saudade do rio grande do sul, de tomar um mate na pracinha no domingo, de ir pro bar do pingo nos dias de semana, dos churrascos no trabalho no sábado, do meu apezinho…

Enfim….

Algumas boas que eu lembro de 2007 pra cá:

“Se você consegue manter a cabeça enquanto à sua volta todos estão perdendo, provavelmente você não está entendendo a gravidade da situação” (Hugo)

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“Sorte de hoje: O amor conquista tudo ” (orkut) UEHAUHEUAHEUHAUEHAUHEUAHEHUAUEHAUHEUAHEUAHEUAHEUAHEUAHEAHEAEAHEUAEUHA
EAUHEUAHEUHAUEAHEUAHEUAHEUAHEUAUHEUAHEUHAEUHAUHEAUHEHUAEUHAUHEAUHEHAU (dei pála de riso com essa)

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- Enquanto você caga uma lombriga, o muleke caga uma rola deeeeeeeesse tamanho. (será mantida no anonimato, pelo próprio bem dele)

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- É, o problema é que o muleke é tarja preta. (mesmo autor da frase anterior)

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- Pablo, agora tu entra ali ó…
- A la izquierda, a la dereta.

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- Pior que eu procurei, cara, mas eles não vendem anão no eBay, deve custar uns 3.000 conto. (Caco)

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- A Monica Bellucci é muito mais gata que a Jenniffer Conelly.
- Nem boto fé.
- Então vai comer o cu do Gerard DePardieux com cereal (Pablo) (violenta)

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- Vixi fii, vo leva a mina pras brita pra dar uma grampeada, vo soltá as cola. ( será mantida no anonimato)

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- Po, a diferença da secretária eletrônica de um cara bonito e a de um cara feio é tipo assim:

A do cara bonito:
“You have 59 new messages.[i]“piiiiiiiii”[/i]

1a- “Oi Fabinho! Lembra de mim? Aqui é a Jú! A gente saiu dois dias atrás, você disse que ia me ligar pra gente sair outra vez e não ligou até agora. Ó, eu adorei sair com você, eu adorei aquela noite. Acho que você é demais, é um cara diferente de todos os outros… Olha, não vou ficar pagando seu pau não, viu! To esperando você ligar. Bêizu”

2a -  “Fabinhôô! Cadê aquele cinema que você me prometeu ha um mês? Ai, você nem deve mais lembrar de mim. Aqui é a Liz. Liz! A gente saiu ha um mês e você disse que ia me ligar e eu, boba, acreditei. Fabinho, toma vergonha na cara e me liga, tá. “

E todas as outras 57 mensagens do mesmo tipo.

A do cara feio, que quando ele vai olhar, tem UM recado. Isso quando tem algum:

- ” You have one new message [i]“piiiii[/i]“

-” Alô, Thiaaago? Thiago, olha, aqui é a mãe do Jonathan, viu? Eu to ligando pra avisar que hoje não vai ter o rpg que vocês marcaram na casa de vocês porque ele comeu uma coisa estragada e ele passou o dia inteiro no banheiro…, ta cagando horrorres, viu? Vomitando… Aquela noite do rpg, naquele jogo doido que vcs marcaram, nao vai ter hoje, viu… Então ja to avisando que o menino teve dia de rei no banheiro, viu…? Tá, um abraço, viu, Thiago…”

(David)
(pála de riso eterna com essa)

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O comportamento normal das patyzinhas quando um cara feio e quando um cara bonito esbarram nelas na faculdade:

1a situação: O cara bonito e burro esbarra nela e derruba todos os livros.
- Po, desculpa , aí.
- Aiii tudo bem, não tem problema isso acontece mesmo, né. A propósito, eu sou a Mari, tudo bem?
-Tudo bem.
-O que você faz aqui na faculdade?
- Ah, eu faço direito…
- Aaaaiiii que legal! Que legal, você faz direito!Qual matéria que você mais gosta? Eu também faço direito aqui. Qual matéria você mais gosta?
- Ah, eu gosto daquela lá que fala das leis…
- Aaaai eu tambem adoro lei, sabe. Ai, nossa! Código, código civil, eu acho sensacional, adoro estudar pra entender a realidade que está ao meu redor.
- É, eu to ligado que essas lei aí cai em concurso, tá ligado? Mermão, tem que saber, né, as leis… é isso aí.
- Ai, caramba! Você é muito inteligente, muito articulado, nunca vi isso, pega o meu telefone, vamo sair depois da faculdade. Olha, aqui meu telefone, meu nome, viu? Quando você quiser estudar junto, viu, eu também to estudando pra concurso, então acho muito legal ter um parceiro pra estudar.
- Ah não, beleza, pode deixar, tá anotado seu telefone.

2a situação: O cara feio mas extremamente inteligente esbarra na menina.

- Cara, me desculpa, eu tava meio distraído…
- O seu idiota, seu corno cego! Você não olha pra onde você anda não? Seu imbecil, vai se fudêê ô cacete.
- Não que isso! Eu te ajudo, eu posso carregar os seus livros!
- E tira a mão de mim seu merda! Já tá bostando aí,derruba e fica achando que eu sou qualquer vagabunda que você vai chegar junto?! Sai fora, seu trouxa!
(David)

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Quando eu tiver mais tempo digito o resto…

Hoje, comemorarei que a minha irmã e o namorado dela passaram na 2a fase da O.A.B. Que orgúio! :D DD

Preciso de um apartamento com um cantinho do pum maior…

Hoje bateu a deprê… passar dos 25 é surreal. Que merda.

Xau.


November 15, 2009.

(escrevi esse texto antes, mas a internet caiu e não rolou de postar antes)

Estava com pouquíssimo tempo pra atualizar blog, fotolog e coisas da internet. … Na verdade, a minha disposição mental que era pouca e eu acabava ocupando meu tempo com coisas tão inúteis quanto, como passar pelo menos duas horas do meu dia pensando merda, em cagadas da vida, em como nossos esforços as vezes são vão… vai calcular… acho que deve dar um pouco mais de duas horas né. Acontece. Não que eu não tivesse o que fazer: tinha uma caralhada de coisa da faculdade, que acabou ficando pra trás, tinha um monte de coisa pra arrumar em casa, um monte de roupa pra lavar (quando você sair da casa da mamãe vai entender o drama). Não que eu me arrependa ou ache errado deixar algumas responsabilidades pra trás de vez quando, muito pelo contrário. Acho que cada um tem o seu momento: os de ficar feliz, de correr atrás das coisas que são importantes, mas todos também temos nossos momentos de merda. Aqueles em que nada nos satisfaz, em que paramos e pensamos em tudo que fizemos ao longo de nossas vidas e vemos nossas conquistas, e o quanto que sempre queremos mais, mais e mais.
Esse “mais, mais e mais” cansa. Caramba, como cansa!
Você chega as vezes num momento onde nada do que foi conquistado importa, porque não é mais o momento que você está vivendo. E nós temos o péssimo hábito de querer sempre mais.
Hoje, eu parei de “querer mais”.
Acho que é até porque já quis tanta coisa com tanta força e não consegui, que perdeu a graça. Já corri atrás de tanta coisa que, sinceramente, não valia a pena e só eu não via… no final acabei percebendo que era o meu tempo e a minha boa vontade sendo desperdiçadas. Já gastei dinheiro que não tinha pra poder lutar pelos meus sentimentos que acabaram sendo jogados no lixo, que nem vontade de sentir dava mais. Já batalhei por coisas e acumulei minha bagagem pra peitar as pessoas mais fodas na área e vi todo meu conhecimento e experiência sendo trocados por gente sem a menor competência.
Sinceramente… eu não quis mais querer mais.

Hoje, eu não quis mais ser a melhor aluna de fonética e fonologia, não quis mais ser mais compreensiva, nem fazer mais amigos, nem conversar mais, nem fazer tudo mais bonito. Só sentar e fazer nada ” de mais”.  Por isso resolvi postar alguns textos que são simples e que eu acho que são um “bom passa-tempo”.

Provavelmente você está lendo isso (ou não) achando a maior palhaçada do mundo. Então, se for assim, eu aconselho clicar no “X” no topo da tela e fechar a página. Porque se você, assim como eu, resolveu entrar numa página de internet porque queria encontrar “algo mais”, além de desabafos ou textos de quem cursa letras, talvez isso aqui não te supra.

E não, não é bem “mau humor”….  é um pouquinho de mau humor com um pouco de  falta de paciência pra muita coisa mesmo.

Bom, espero que passe depois que eu conseguir descansar a mente.

Boa madrugada.


A Grandeza de Carácter ( Friedrich Nietzsche )

” Obedecer aos próprios sentimentos? Arriscar a vida ao ceder a um sentimento
generoso ou a um impulso de momento… Isso não caracteriza um homem: todos são
capazes de fazê-lo; neste ponto, um criminoso, um bandido, um corso certamente
superam um homem honesto. O grau de superioridade é vencer em si esse elã e
realizar o acto heróico, não por um impulso, mas friamente, razoavelmente, sem a
expansão de prazer que o acompanha. Outro tanto acontece com a piedade: ela
há-de ser habitualmente filtrada pela razão; caso contrário, é tão perigosa como
qualquer outra emoção. A docilidade cega perante uma emoção – tanto importa que
seja generosa ou piedosa como odienta – é causa dos piores males. A grandeza de
carácter não consiste em não experimentar emoções; pelo contrário, estas são de
ter no mais alto grau; a questão é controlá-las e, ainda assim, havendo prazer
em modelá-las, em função de algo mais.”


Por Não Estarem Distraídos (Clarice Lispector)

” Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.
Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto.
No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram.
Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios.
Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.”


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